A ORAÇÃO DO PAI NOSSO – A ORAÇÃO MODELO – PARTE 02

PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

A primeira parte da oração modelo – conhecida historicamente como a oração do Pai Nosso – é uma invocação. Invocação esta que tem muito a nos ensinar a quem nos dirigimos na oração.
Deus como Pai não é um tema central do Antigo Testamento, embora encontremos passagens no Antigo Testamento em que Deus é chamado de Pai, geralmente esse tratamento é feito em forma de analogia (cf. Deuteronômio 32.6; Salmos 103.13; Isaías 63.16; Malaquias 2.10). Somente após a vinda de Jesus Cristo, e consequentemente o seu ensinamento, é que tratar Deus como Pai torna-se característica da comunidade da fé, atualmente, no Brasil, esse termo em relação a Deus é também utilizado, equivocadamente, por pessoas que professam outra religião, até mesmo por alguns que não professam religião alguma. Precisamos reforçar, assim como foi falado no primeiro artigo, que a oração do Pai Nosso, destina-se exclusivamente para a comunidade da fé em Jesus Cristo, ou seja, são para os filhos de Deus que adquiriram esse direito por meio da fé em Jesus Cristo conforme o ensinamento de João em seu evangelho no capítulo um, versículo doze.

Pai Nosso… Um povo salvo por meio de Jesus Cristo!

A oração ensinada por Jesus Cristo começa assim: Pai Nosso… Não encontramos na oração ensinada por Jesus os pronomes “eu”, “minha”, “meu”, mas sim os pronomes, “nosso”, “nos” e “nós”, isso é muito significativo, pois nos ensina que não podemos viver um relacionamento com Deus na base do exclusivismo egoísta, mas isso também não quer dizer que a oração nos ensina o inclusivismo sem critérios. Só podemos desfrutar dessa benção de chamar Deus de Pai na comunhão do corpo por intermédio da cabeça Jesus Cristo.
Pai nosso? De quem? De todos os seres humanos que vivem na Terra? Não. Quem é conosco no Pai nosso? São todos aqueles que creram (João 1.12) e que tiveram as suas vidas lavadas no sangue do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. O Pai não é somente meu, ele é o Pai nosso, meu e de todos os salvos por meio de Jesus Cristo o Filho unigênito. O pronome nosso na oração é, em primeiro lugar, por meio de Jesus Cristo, pois sem a mediação dele eu não sou filho do Pai celeste; é importante esclarecermos aqui que o “Pai Nosso” no inicio desta oração modelo ensinada por Jesus, está no plural, mas não inclui o próprio Jesus, pois ela faz parte da instrução de Jesus aos discípulos e como estes devem orar; e em segundo lugar, eu não sou o único que desfruta dessa mediação de Jesus Cristo, existem milhões de pessoas, no mundo, em todas as épocas, que tiveram os seus laços com Deus reconciliados e aproximados por meio da mediação do único Filho – Jesus Cristo. Jesus não veio salvar uma pessoa, ele veio salvar um povo, uma comunidade.
No primeiro caso somos lembrados que somos filhos por meio de Jesus Cristo, não por méritos próprios, no segundo caso lembramos que não somos os únicos, pois existe uma quantidade inumerável de pessoas, espalhadas por todos os cantos da Terra que tiveram o privilégio de se tornarem filhos e filhas de Deus por meio da fé em Jesus Cristo. Se você ainda não é filho de Deus ainda dá tempo de arrepender-se dos seus pecados e crer em Jesus Cristo!

Que estás nos céus… Amor, Santidade, Justiça e Soberania

A segunda parte dessa invocação ensina-nos algo precioso, pois é muito fácil baratearmos a ideia de que Deus é nosso Pai tratando-o como alguém comum. Quando agimos dessa maneira, confundimos sua paternidade, tendemos a diminuir os atributos de Deus e consequentemente a maneira como nos portamos diante dele. Por isso Jesus nos lembra no começo da oração que nos dirigimos ao nosso Pai que estás nos céus.
O céu é o lugar onde habita o Deus de amor, que nos atinge com flechas de bondade todos os dias de nossas vidas, o céu é o lugar onde habita o Santo, onde habita a justiça, onde habita o Soberano do Universo. A designação de Deus como Pai estabelece o tipo de Deus que ele é, um Deus amoroso, pessoal e atencioso. Orar ao Pai que estás nos céus é reconhecer, que ele é um Deus Santo, puro e perfeito e que ele exige de seus filhos que sejam santos como ele é santo. Aquele que chama Deus de Pai, que o invoca dessa maneira na oração, deve andar em conformidade com o seu caráter, com a suas regras, seja na vida particular, no íntimo, ou na vida pública, em suas relações com as outras pessoas e com o próprio planeta Terra. Orar ao Pai que estás nos céus é reconhecer que ele é um Deus Justo, e que no céu onde ele habita, não há injustiça, assim aquele que o invoca na oração tem que se portar em justiça durante a sua caminhada na Terra. Buscar a santidade e viver em justiça é trilhar pelo caminho estreito, não é fácil, mas somos convocados a seguir este caminho. Aquele a quem oramos, do qual dizemos: que estás nos céus, é um Deus Soberano. Dizer que ele está no céu é reconhecer a sua Soberania, pois é de lá que o universo é controlado. Com isso, aquele que ora reconhece que a vontade daquele que estás nos céus é boa, perfeita e agradável, e esforçar-se para se conformar com essa vontade em todas as suas relações. Lembremos sempre que o nosso Pai que estás nos céus é um Deus de amor, mas também é um Deus Santo, Justo e que controla todo o Universo, nada acontece sem a permissão dele.
O reconhecimento dessa verdade deve nos levar a invocar o nome do Senhor, nosso Pai que estás nos céus, em primeiro lugar, com reverência, sabendo quem ele é, e quem nós somos, em segundo lugar, com adoração, pois ele não é um pai comum, ele é Deus acima de tudo e de todos, em terceiro, com temor, pois ele é Deus Justo e não tolera o pecado de ninguém, ele não fecha os olhos para os nossos erros e enganos, e em quarto lugar, com admiração, pois esse Deus Santo, Justo e Soberano, nos permitiu sermos chamados de filhos, nós pecadores, pela mediação de Jesus Cristo, isso é maravilhoso. O nosso pai que estás nos céus é Deus em que combinam o amor, a santidade, a justiça e a soberania.

CONCLUSÂO

Na primeira parte – “Pai nosso”, somos ensinados a clamar a um Deus bondoso que não está distante e se fez carne para termos o direito de chegar até a sua presença, por meio de Jesus Cristo, somos constrangidos e motivados a buscar o Pai junto com a comunidade dos salvos e a favor desta comunidade, aprendemos que é pela mediação do Único Filho de Deus – Jesus Cristo – que somos adotados na família de Deus conseguindo o privilégio e poder de chamar Deus de Pai.
Na segunda parte – “Que estás nos céus”, aprendemos a distinguir Deus de sua criação, ele é Deus imanente, mas também transcendente, é Deus de amor, mas também Deus de justiça é Deus santo e Soberano – ele é único. Precisamos saber a quem nos dirigimos quando oramos. Ele é um Deus que está perto, amoroso e pessoal, ao ponto de chamarmos de Pai, mas ao mesmo tempo ele é um Deus Santo, Justo e Soberano que habita luz inacessível ao homem. Pensemos, com admiração, coragem e espanto, a quem estamos nos dirigindo quando clamamos Pai nosso!

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